quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Engolir sapo engorda?



Bem na hora em que ganhamos o segundo cromossomo X, ganhamos também a sina feminina: não, você nunca vai se sentir magra o suficiente. Nem me refiro aos transtornos alimentares, mas àquela mania que esbarra no perfeccionismo de se olhar no espelho e... ai-se-eu-tivesse-um-quilo-a-menos. Eu duvido que a top mais top (esquece a Bündchen, ela tá grávida) ou a Angel mais celestial da Victoria’s Secret se sinta feliz com seu peso. Em alguma momento, nem é um quilo inteiro que precisa sair, só mesmo 100g daquela maldita celulite. Detalhe que passa despercebido aos olhos de todo mundo, menos aos seus.

O tempo passa e você aprende que gostar de si mesma é gostar também dos seus defeitos. Claro, vale malhar, encarar o regime, fazer promessa (ah, se adiantasse), reza forte... Mas o que mais adianta é esquecer o defeitinho se é que chega a ser defeito, porque se você não vê, os outros também não veem.

Ou veem. É aí que mora a maior crueldade de uma mulher. Talvez não a maior, mas uma das mais impiedosas. Eu estava na semana mais chata até então, difícil de passar, na qual tudo de ruim acontece e fui ao banheiro do trabalho escovar os dentes, como sempre. A Fulana com quem eu não tenho amizade e só falo oi-tudo-bem por questão de educação, me encarou e soltou a quase sentença de morte (ok, eu exagerei): “nossa, você tá engordando, né?”.

No gerúndio é ainda pior, saí do banheiro com a impressão de que eu iria engordar até explodir. E sem dar resposta pra fulana, porque a resposta correta seria “e o que você tem a ver com isso?” ou ainda “e você que tá ficando com a pele cada dia mais envelhecida de tanto fumar” ou até pior “e você que é feia e tem a voz esganiçada?”. Mas como eu não sei dar resposta na hora, só pensei nisso depois e tive que engolir as frases (será que engolir sapo engorda?).

Eu cresci e aprendi que, se você não tem nada legal pra dizer a uma pessoa, basta ficar quieto (“as pessoas perdem cada oportunidade de ficarem com a boca fechada”, já dizia meu sábio pai). Ouvir que você está engordando de uma mulher é maldade pura. E olha que até um tempo atrás eu usava calça tamanho 34, hoje uso 36 – e deixa eu me justificar: ganhei massa por conta da musculação ;). E nem foi de uma hora pra outra, faz uns dois anos.

Viver em sociedade tem muito a ver com a arte de escutar, deixar entrar por um ouvido, deixar sair pelo outro o quanto antes e esquecer. Deixar pra lá é tão difícil pra mim, que sei bem os meus momentos de ficar quieta. Hoje eu corro da Fulana, até vou de escada pra não pegar o elevador com ela. Eu não preciso dessas doses de maldade pra me testar, muito obrigada. O problema é que nem sempre as maldades que estragam seu dia chegam com um anúncio pendurado no pescoço.

P.S.: esse post é a resposta que eu queria dar a ela. Se a Fulana ler...


Quem é o zumbi da história?



Os zumbis são eles ou sou eu? Saí com essa dúvida da última vez que subi no salto, escolhi um vestido bonito, me aventurei pela caixa de maquiagem e fui encarar uma balada. Eu já fui muito das baladas, tinha pique pra chegar às cinco da manhã em casa, dormir uma horinha, tomar banho, café extra-forte e encarar mais um dia. Já viajei sem ter onde ficar só por uma micareta. É, eu era da balada.

Era. Porque nessa última vi que já passou meu tempo de fingir que não to nem aí pra quem derruba cerveja no meu pé limpinho, pra fingir que não acho ridículas aquelas meninas que esqueceram a saia em casa e vão dançando até o chão, pra fingir me mexer ao som de uma música que jamais vai tocar na minha casa... Não mais. Eu não tenho nenhum apreço por quem derruba cerveja na pessoa ao lado (tirando os desastres, claro. Cerveja não se desperdiça, quem faz isso me desperta a mesma ira que as senhoras que lavam a calçada com toda a água do futuro), fico com dó (desprezo?) da menina que usa seus dotes rebolativos e sua falta de roupa pra chamar a atenção do cara ao lado e não suporto música ruim. Eu aguento melhor a poluição do ar que a sonora.

Aliás, intolerância musical tem muito a ver com a idade e o amadurecimento, eu acho. Quando era mais nova, meu gosto musical era o mesmo de hoje e isso não me impedia de me divertir em festas. Eu amava uma micareta, caramba. Hoje, não. Ainda tô so, so far away dos 70 anos (e da sinceridade típica dessa idade), mas não entendo quem gosta de músicas que falem de carro, que tenham o um único ritmo pobrinho ou tenham a mesma sonoridade que a construção do prédio aqui em frente de casa provoca todo dia às 7 da manhã.

Seria eu uma zumbi ou só mais tolerante nos meus anos baladeiros? Não sei, o que sei é que cair na balada errada hoje em dia tem o mesmo efeito que ser extraterrestre. Fica difícil entender aquela gente, aqueles costumes, aquele som que deixa a maior parte das pessoas felizes... Eu me obrigava a aceitar os convites das amigas porque, enfim, solteira não se arranja assistindo a filminho em casa. Mas depois dessa última festa, descobri que não quero me arranjar com o fulano que frequenta toda sexta ou todo sábado (ou os dois, pior!) esse tipo de ambiente. Sair de casa pra uma noitada agora só depois de saber qual banda vai tocar e quais os meus amigos irão. Qualquer festa é garantia de sucesso quando você está bem cercada e com os ouvidos bem amparados. Do contrário, fico em casa mesmo, onde entra quem eu quero, toca o que eu gosto e, se a cerveja cair, vira piada.

P.S.: intolerância musical + intolerância com gente que usa o corpo pra chamar a atenção, é oficial: tô ficando velha!

domingo, 15 de julho de 2012

Um post meio perdido e meio feliz


Uma dúvida: por que tristeza é blue? Acho azul mais lindo que amarelo

Eu queria ser uma dessas pessoas que são felizes com coisas óbvias e fáceis, sabe? Dessas que, se estão tristes, vão ao shopping, assassinam o cartão e saem leves e felizes. Acho o máximo gente que consegue comprar a alegria em suaves (ou nem tão suaves) prestações. Eu sou daquelas que sai do shopping com uma peça da qual não precisava pensando, “por que eu fiz isso, eu não precisava!”, com aquela cara de perseguida pela polícia ou de criança que se lambuzou com a sobremesa antes do almoço, culpada, culpada, culpada. Porque eu acho que todo dinheiro que sobra tem um destino certo: viajar. Viajar pra lavar a alma e conhecer gente e lugares que fazem você ser um pouco mais você. Eu sou uma mistura de experiências e sensações, sou a soma de um céu azul diferente, de um pé na bunda quase inesquecível, de um sorriso que veio de um desconhecido e de um doce escandaloso de gostoso. Definitivamente eu não sou as peças do meu guarda-roupa, elas só vestem minha alma perdida, que insiste em achar que a felicidade está sempre ao nosso lado, mas às vezes escorrega e se perde nos outros que passam pela nossa vida.

Queria ser constante e quase indiferente, como essas pessoas que parecem nunca sair da linha reta que é a vida delas. Estudar, arrumar um emprego, casar, ter filhos, trocar de carro e viajar com o décimo terceiro. Minha vida às vezes para e às vezes dá um looping meio louco. Eu não sei o meu final e, ao mesmo tempo em que acho isso máximo, tenho pavor de não saber. Um spoiler, por favor. Não, eu não coloco tudo nas mãos do destino. Mas algumas coisas são destino puro. Felizmente ou infelizmente eu ainda descubro.

Adoraria ser gulosa e compensar minhas frustrações na comida. Dia desse li uma frase, que era algo do tipo “If you’re eating a lot, what is eating you?”, eu sou assim. Não que eu não ame comer, mas não como por compensação. No fim das contas, não compensa ficar com excesso de celulite só por um problema que logo passa. Aliás, a maioria dos problemas sempre passa logo. Esses probleminhas banais hoje em dia me fazem ficar indiferente porque pra tudo dá-se um jeito. Vai ver isso é amadurecer. O único problema que persiste é o vazio que fica em cada momento mais feliz, em cada tristeza mais desesperadora, em cada situação mais à toa... Não, não é fome. É falta de ter alguém pra dividir tudo. Camaradagem além da amizade, além da relação mãe-filha, pai-filha. Alguém pra beijar rindo e rir junto beijando. Isso faz muita falta, mas não e faz perder as esperanças, nem me deixa mais triste ou incompleta. A felicidade eu guardo no bolso, mas às vezes esqueço de tirar do bolso de uma calça pra colocar na outra. Quando eu a encontro, é como achar uma nota de dez reais (ou dois ou cinqüenta, whatever...).

P.S.: vou lá comer um brigadeiro porque hoje é domingo e domingo compensa tudo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Aos corintianos



Time que tem uma torcida ou torcida que tem um time? Voto na última

Eu não sei como o coração da gente pende pra um time, no meu caso deve ter sido muito pelos olhos verdes brilhando de felicidade do meu pai toda vez que o Corinthians ganhava.

Hoje eu sei que sou corintiana por conta dos corintianos. Falem o que quiser, anticorintianos. Mas não existe amor maior do que o dessa torcida. Todo corintiano fica bonito (ou mais bonito, no caso do Fábio Assunção) ao sorrir falando do Corinthians. E costuma ser assim até na derrota, o sorriso é mais modesto, quase invisível, mas é daqueles fiéis. Porque todo corintiano sabe que estar por baixo acontece vez ou outra, mas funciona como trampolim. E receber zoação alheia só faz o amor crescer.

Gosto de ver o bando gritando/cantando no Pacaembu, seguro as lágrimas com toda reportagem com alguém dizendo Vai, Curintia, amo gente que se chama de louco por um amor que não cabe no peito. É bom cantar junto eu-vivo-por-ti-Corinthians, é exagerado, sim. Como todo amor que sobra e que não é morno.

Não assisto a jogo do Corinthians porque sou bem covarde, não covarde com medo do meu sofrimento, mas com medo de ver corintiano chorar de tristeza, porque eles não merecem. Os corintianos são humildes, ninguém pede goleada e sabe que 1X0 é tão saboroso quanto. Corintianos são simples e pouco importa a classe social e o nível de estudo, todos ficam juntos no Vai, Curintia! Corintianos, pouco importa fé, são todos devotos de São Jorge. Eu adoro como você quase vira parente (parente gente boa, claro) de alguém que nunca conheceu, mas que de repente diz torcer pro Timão.

Foi por isso que sofri a cada jogo nessa Libertadores. A gente não pode zombar do sonho de ninguém, principalmente do sonho de (mais de) 30 milhões de pessoas cujos corações batem no mesmo ritmo. E que ritmo! Ganhar não faz de mim mais corintiana, perder talvez fizesse, porque perder é amargo e é quando você percebe que tem um amor mais forte que um troféu. Mas ganhar é doce e é com esse gostinho bom que eu desejo bom dia a todos os corintianos. Nós merecemos!

E bom dia especial ao meu pai corintiano nervoso e meio covarde também (de quem será que herdei o pânico de ver jogo?), que me mostrou, com os olhos verdes sempre brilhando, o quanto é bom fazer parte dessa torcida! Por alguns quilômetros de estrada, não vi os olhos dele derramarem lágrimas ontem. Mas senti o coração pulsando, esse coração corintiano pulsa igual em todos nós.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A arte (rara) de se virar



Gosto de pensar que existem várias classificações para as pessoas. As que gostam de chuva e as que não gostam. As que sabem falar obrigado e as pessimamente educadas que não. As que falam olhando nos olhos (amo essas!) e as que desviam o olhar (algo a esconder? Timidez? Um mistério...). Mas ultimamente a vida me fez perceber dois tipos bem distintos: as que se viram sozinhas e as que acham que você nasceu pra servi-las (isso, servi-las, diferente de fazer um favorzinho, sabe?).

Eu acho terrível ter que pedir favor, só peço em último caso mesmo. Acho que talvez seja uma tradição lá em casa: se você pode viver sem amolar os outros, melhor. E eu adorei ter sido criada desse jeito, acredito que ninguém tem nada a ver com seus problemas, seus esquecimentos, suas frustrações, seu tudo. Uma coisa é ter amigos e dividir as chateações, ligar e dar uma reclamadinha faz parte. Fazer seus amigos entrarem em seus problemas definitivamente não faz parte. É egoísmo, é ser mimadinho (no mau sentido, afinal, ser mimado não faz de você uma má pessoa, ser o tesouro da mamãe não quer dizer que você é chato. Ser chato é uma questão que vai bem além!).

Chega de parênteses. Explico minha nova divisão entre as pessoas: dia desses um conhecido esqueceu, em uma viagem, algo sem o qual não pudesse viver sem. Algo não muito barato, mas também nada impossível de comprar outro. Não era um carro, mas também não era um lápis. Vamos ficar nesse meio termo. Pediu o meu emprestado. Emprestei de boa fé, porque o conhecido disse que devolveria em alguns dias. Alguns dias. Só que aí eu precisei do objeto e já havia passado semanas (duas, mas mesmo assim é plural). Odeio cobrar. É bem por isso que sei que dificilmente vou dar conta de trabalhar em comércio. Mas cobrei o conhecido, pedi de volta. E descobri que, pelos planos do fulano, ele só me devolveria depois de mais duas semanas, quando voltasse para o lugar onde esqueceu o objeto e aí devolveria o meu. Oi? O mundo gira ao redor do seu umbigo? God, no!

Esse é um fulano que entra na categoria acha-que-os-outros-nasceram-pra-servi-lo. Você não pode punir alguém de fora da sua história por conta do seu esquecimento. Não pode viver de mau humor porque chegou molhado da chuva no trabalho. A chuva cai pra todos, ou não? Não pode dar coice em todo mundo porque não tem namorado. A vida ficaria impossível assim, lotada de gente que culpa todo mundo por coisas nada a ver.

É por isso que me orgulho de ter sido criada pra ser independente. Meu tipo preferido de gente é aquele que vive sorrindo (de verdade, com a alma) mesmo depois de ver os obstáculos que a vida lhe impôs. Meu tipo de gente é aquele que supera os problemas sozinho (e depois desabafa com os mais chegados... Porque desabafar, com cerveja ou café, faz parte). Nem todo dia dá pra ser desse jeito, eu sei. Mas quem vive assim a maior parte dos 365 dias do ano entra no meu seleto clube de super-heróis da vida real.

P.S.: eu não sou rica suficiente pra visitar a Europa todo ano, mas não desconto isso em ninguém. Eu não tenho namorado, mas não vivo de cara fechada por isso. E tento ser assim pelo menos em 183 dias do ano. Não é fácil. É uma batalha por dia, mas é meu jeito de viver. O mais gostoso.


sábado, 16 de junho de 2012

Sobre sombrinhas e dias de chuva



Eu não sei as suas, mas minhas sombrinhas sempre quebram em dias de chuva forte. Elas não resistem, se quebram no vento, vai ver são feitas de açúcar (definição que minha mãe adora me dar e acho meio correta e meio errada, como toda generalização). Eu entendo que chuvas fortes quebram sombrinhas, mas, caramba, elas não foram criadas pra serem usadas na chuva, na tempestade, no dilúvio?

Quando meu mundo tinha desabado um pouco, choveu a semana toda, de verdade, esqueça o lirismo se é que esse texto tem algum. Óbvio que minha sombrinha me deixou na mão no meio do caminho e eu segui me molhando, cabelo arrepiando, coração derretendo. Sim, o minicaos. Cheguei em casa e fiquei pensando na injustiça que é ter a sombrinha quebrada bem em dia de chuva. Só que aí a voz que mora na minha cabeça e vive interagindo comigo (independente da minha vontade) gritou: “como você queria que ela quebrasse num dia ensolarado se ela só fica guardada?”. 

A voz da razão (que minha mãe colocou em mim via chip desde que vim morar sozinha, eu imagino), eis um clichezão, nunca está errada. As coisas só se quebram quando a gente as coloca em uso. Você já quebrou uma xícara que só fica dentro do armário? Um brinco que nunca sai do porta-joia? Já desfiou uma meia-calça que fica eternamente na gaveta? Sentou em cima do óculos de grau que nunca sai da caixinha? Ganhou uma cicatriz no joelho sem ter corrido como (e com) o vento quando criança? Já teve o coração partido sem ter gostado de alguém? A vida vai quebrando as coisas e a gente, toda vez que as colocamos (e nos colocamos) em uso. Estar vivo não tem nada de ser intacto, não. Estar vivo é ter o poder de se consertar toda vez que o improvável aparece. Porque o improvável faz parte, ué. Você dá a cara a tapa e nem sempre vem um carinho, às vezes vem o tapa mesmo.

Se você se retira do jogo, fica fora de forma. Você quer ficar em stand-by na sua própria vida? Não faz sentido, eu acho apesar de todas as dores e tombos e cicatrizes. No fundo, o segredo das pessoas felizes é a rapidez com que superam um capote e um tapete puxado. Superam de verdade, voltam a rir com alma, sabe? As sombrinhas sempre vão quebrar, isso é inevitável. Mas mais inevitável do que isso é andar na chuva. Qual é a graça de mergulhar se você não entra de cabeça, por dó de estragar o cabelo? Apesar de todos os pesares, é desse jeito que mais gosto. Morno, pra mim, nunca será o novo quente. Pouca maionese nunca é suficiente, eu gosto de me lambuzar sem medo do colesterol. Eu nunca dou pedacinhos do meu coração. Às vezes, me devolvem em pedaços triturados. Tudo bem, deixa que eu tenho a cola pra dar um jeito.

P.S.: seu eu fosse mesmo de açúcar, não escreveria esse texto. Não viveria minha vida assim, na chuva. E eu sei que minha mãe sabe disso ;)

domingo, 27 de maio de 2012

Mr. Right... Now!


Adivinha quem sou eu na ilustração?!

Eu não sou nada fã de violência, passo longe até das reportagens sobre UFC, mas sinto uma vontade (totalmente controlável, é claro) de socar alguém que vira e diz: “calma, quando você menos esperar, a pessoa certa vai aparecer”. Se fosse uma única pessoa que dissesse isso, eu iria esquecer. Aquela coisa de entra-por-um-ouvido-sai-pelo-outro... Mas não, todos os meus amigos adoram me dizer essa frase. (Só um parênteses necessário, eu continuo adorando os meus amigos que me dizem isso, nunca vou socá-los, é só coisa de momento).

A verdade é que é bem simples e fácil pra alguém que está feliz com o namorado/marido/gato de estimação aconselhar uma solteira de alma perturbada e meio louca. Ela está lá, no conforto do abraço, vendo tudo como telespectadora. Não é ela quem está perdendo os cabelos, morrendo de gastrite, perdendo o sono ao se questionar se-eu-não-fiz-nada-de-errado-e-se-eu-sou-assim-tão-legal-por-que-não-deu-certo?!, e acordando com a mesma pergunta martelando no cérebro. Todo mundo que namora, casa ou arruma um gato de estimação se esquece de como é triste não ter ninguém. Pior: não ter a esperança de ter alguém.

O chavão da autoestima de que você precisa se sentir bem consigo mesma e se amar pra alguém te amar de volta eu já mandei pro espaço faz tempo. Faz 28 anos que eu sou sozinha e faz 28 anos que as pessoas dizem que eu sou bem-humorada. Faz cinco anos que moro sozinha e sou feliz assim, me divirto e ocupo tanto as 24 horas do meu dia que queria que elas virassem 28, pelo menos. Faz, no mínimo, dez anos que eu ouço o espera-uma-hora-o-cara-certo-aparece e já enjoei. Por que ele demora tanto, caramba?! Será que o problema é que me dou bem com a minha solidão? Eu posso brigar com ela, se for o caso.

Eu já abri tanto as minhas exceções que eu nem sei mais o que cara precisa ter pra ser o certo, quer dizer, eu sei. Só que isso não diminui o fato de que essa Instituição Do Cara Certo é uma baita besteira. O que faz um cara ser certo? Não fumar, não beber, praticar esportes e não comer carne na quaresma? Bom, se for isso, eu aceito um Cara Errado desde que ele não me magoe e me trate como eu mereço (porque eu tô solteira, ok, mas não desesperada).

Quer dizer, um pouco de desespero impaciência pode ser que exista. É uma sensação de estar na fila de espera há muito tempo e sempre que sua vez está pra chegar, aparece alguém pra entrar na sua frente por conta das suas características especiais. Hei, eu também tenho minhas características especiais. Todo mundo que sentou comigo na sala de espera já casou e eu continuo lá, fazendo piada (eu cansei de fazer graça!), provando pro responsável pela Instituição Do Cara Certo que eu vou bem sozinha. Ter meu apartamento, ser independente, me virar na cozinha, consertar o chuveiro, matar barata (no grito, mas enfim...) ainda não serviram pra Instituição. Preciso aprender a voar? Sério, se for isso eu tento, ué.

Eu já vivi tanta coisa, já consertei tanto meu coração (esse mutante) e continuo acreditando na maldita Instituição Do Amor. Sério, quando os deuses vão provar que eu não acreditei em vão? Que malhar teve uma razão, que me maquiar (e tirar a maquiagem quando chegava de madrugada) teve um bom motivo, que levar tanto pé na bunda finalmente me empurrou pra frente? Eu quero pra ontem, cansei de esperar. E não é por isso que aceito qualquer coisa. Ainda acredito, apesar de todas as mudanças pelas quais meu conceito de homem ideal passou, que O Cara Certo abre a porta do carro, pelo menos uma vez na vida se oferece pra pagar a conta, é cheiroso, tem barba por fazer, usa camisa xadrez (e não gosta de sertanejo), dá risada das minhas besteiras e gosta de mim por e apesar de tudo o que eu sou. Tô esperando e não saio dessa vida sem ele.

P.S.: me recuso a comprar um gato de companhia. Quero um gato de estimação, mas só compro depois que o Cara Certíssimo chegar. Claro, chegar e não for embora.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Fake plastic heart


As palavras que mais fazem pensar são aquelas que não são ditas. Essas são as que mais tiram o chão, o sono e a cabeça do lugar. Elas são eloquentes e podem doer, só depende da ocasião que são usadas, quer dizer, que não são usadas.

As palavras que magoam, você supera. As palavras que elogiam, você acaba deixando de lado ou esquecendo (não sei o porquê, mas isso acontece). Eventualmente tudo passa. Menos a sensação do que não foi dito. Você pode se lembrar menos das não-palavras com o passar dos dias, mas vai se lembrar da falta que elas fizeram toda vez que o assunto voltar à sua memória.

Ainda quando as palavras não ditas são aquelas carinhosas, trocadas no silêncio de um olhar, tudo bem. Acredito muito no poder das declarações ditas no silêncio de um olhar. Tudo começa com um olhar mais demorado. E tudo começa a desmoronar na falta de coragem de olhar. Essa é a verdade.

Agora, as palavras não explicadas, aquelas que fazem você imaginar o quanto errou sem ter errado, essas machucam feito uma faca no peito. Agir indiferente com quem tem sentimentos e boa vontade com você é o maior pecado. A crueldade de que se é capaz, deixar pra trás os corações partidos, como já cantou Herbert Vianna. Não vou entrar na questão pequeno-principiana de que se é responsável por quem cativa porque não acredito nela. Mas acredito no respeito. E como acredito. 

Corajosos perguntam, morrendo de medo da verdade. Covardes fogem das resposta porque sabem o quanto estão errados. As palavras não ditas, no fundo, são isso mesmo: o silêncio de quem age com covardia. O motivo de eu (você e tanta gente) se mortificar questionando quais seriam essas palavras é injusto, mas acontece com quem tem coração. O coração costuma sangrar na dúvida. Mesmo assim ainda prefiro um coração sangrando a um fake plastic heart.
Sometimes everybody cries =\

P.S.: se inventam vacina pra gripe, por que não algo pra imunizar o coração por sentimentos desperdiçados com idiotas?


terça-feira, 15 de maio de 2012

Menos é mais. Bem mais


A verdade é que o Facebook (de algumas pessoas) fez o amor virar o maior clichê do mundo. Clichê chato mesmo, não aqueles clichês que até soam divertidos e se fazem necessários vez ou outra.
Você se apaixona e pronto. A timeline de todos os seus amigos sofre as consquências de tanto mel e calda de caramelo que sai dos seus posts. Não quero soar como a Grinch dos casais apaixonados – tô bem longe de ser assim. Mas é que, sei lá, eu acredito na autocensura e no bom censo.

Explico. Você está feliz da vida, mudou seu status, encontrou o cara (ou a menina) perfeito e dá-lhe mensagens apaixonadas a cada hora, dá-lhe fotos de beijo a cada duas horas, marcação em clipe do rei Roberto duas vezes por dia. Menos, né, gente! Uma vez meu pai me disse que a melhor declaração de amor é aquela mais simples, mais singela e que não é feita de hora em hora. Meu pai também me disse que tudo o que é exagerado tende a durar pouco. Nossa, como eu concordo com ele. A vida e meu pai me ensinaram essa lição.

Acho que quando você quer se derreter vendo amores felizes vai até a locadora, pega um filme da Julia Roberts e outro da Drew Barrymore, chega em casa, se joga no pijama, faz pipoca e pronto. Facebook não é locadora nem cinema. O maior problema das redes sociais são algumas pessoas que não entendem que a vida delas não é a coisa mais interessante do mundo. Todo mundo acha que sua história de amor daria um filme, mas nem todas são assim. Senão, qualquer um poderia ser roteirista de cinema. Algumas histórias chegam a dar tédio (profundo!). "Conheci ele no primeiro ano do colegial. Começamos a namorar. Ele pediu um tempo quando foi fazer faculdade. Chorei tanto. Voltamos e vamos nos casar daqui a um ano". Desculpa, mas isso não dá filme. Tá, também não é porque dá tédio que é menos amor.

Eu sou muito Mario Quintana way of love. "Se tu me amas, ama-me baixinho. Não o grites de cima dos telhados. Deixa em paz os passarinhos". Tenho um pouco de desprezo pelos efusivos da paixão. O fato de você poder declarar na rede e a todo mundo o seu amor não o torna um amor maior ou mais especial, só mais visualizado. E isso não quer dizer nada. Pouco importa quantos likes a declaração a seu lindo. O único like que vale a pena ser levado em consideração é o que você sente por ele, e vice-versa.

As histórias de amor podem ser todas lindas, desde que não sejam divulgadas a todo minuto porque aí enjoa. Aí vira o clichê ruim do começo do texto. Tipo aquele comercial de tevê que, na primeira vez, pareceu divertido e diferente, mas depois da 168º aparição perdeu a graça. Achei a moral do meu texto: amor bonito é o amor que não é vendido a toda hora. Uma história de amor precisa dos seus segredos e das suas supresas, senão vira comercial de rede de shopping.

Que ilustração mais "uma andorinha só não faz verão", né?


P.S.: eu prometo que quando gostar de alguém não vou virar a chatona-apaixonada porque "a vida é breve, e o amor mais breve ainda...", né, Mario Quintana?!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Da série: eu pergunto se não entender, tá?


Diga assim: “é que você não entendeu...”. E pronto! Você já vai parar na minha lista (a ruim, claro) com grifa-texto no nome. Sério, eu não consigo acreditar que exista gente que diz isso. Será que esse tipo acha que pode invadir a nossa cabeça e entrar na lista dos assuntos não-entendidos? É muito se achar superior, santo excesso de autoestima...

Já faz um tempo que fui a um show terrível, banda péssima, música idem. Senti tanto tédio que achei que tédio pudesse matar. Como não matou, fui me sentar longe do pessoal e do som terrível (foi impossível). Tava feliz, conversando com outros amigos (que não tinham gostado também), até que chegou uma conhecida, tiete da tal banda, e virou assim: “vocês não gostaram porque não entenderam a proposta da banda”. Oi? Como a fulana poderia supor que eu não entendi?! Fiquei possuída de raiva e só consegui responder: “entendi, sim. E não gostei”. E fui embora bufando, pensando em trezentas melhores respostas (até hoje, uns três anos depois, eu penso na repostas ideal pra ela).

Passou o tempo, eu quase superei, pelo menos agora eu faça piada... E lá veio a situação número dois. Texto terrível. Fui com toda a delicadeza pedir modificações e, tchãrãm, “a graça desse texto é ficar assim mesmo, você não entendeu...”. Meu Senhor do Bom Texto, as pessoas precisam aprender a ouvir mais críticas – as construtivas, é claro. Opiniões diferentes fazem o mundo ser um lugar melhor e mais interessante. Ninguém é tão soberano assim.

Cada um entende de um jeito. Tá certo, alguns entendem menos. Alguns acham poesia sertanejo universitário (arrepio ruim agora...), mas não cabe a ninguém julgar. Outros se empolgam com música sem refrão, sem fim, sem começo, sem bateria nervosa... Outros amam ler autoajuda, acham Paulo Coelho ótimo. Eu aceito o gosto de todo mundo, desde que não venham me dizer que não gostei porque não entendi a proposta.

A verdade é que eu tenho medo do excesso de autoestima nas pessoas. Elas se sentem tão inteligentes que acham que são melhores. Você pode ser inteligente, mas só inteligente de verdade quando não subestima as pessoas. Tá, confesso: ok eu subestimo um tiquinho quem rima amor/dor e paixão/coração. Mas só um pouco ;)
Eu acrescentaria a isso: Don't judge people you don't know

P.S.: sério, acho que deveriam cobrar multa de gente com autoestima demais. Não cobram do excesso de velocidade?
P.S.2: eu mostra a língua imaginária pra quem vira pra mim e pergunta: "entendeu?". Se eu não entendesse, perguntava, caramba! 


domingo, 6 de maio de 2012

A vida é uma pintura de Monet


Não sei exatamente o porquê, mas nessa semana eu fiquei me lembrando muito da sensação que tive ao ver o primeiro quadro de Monet, ao vivo e a muitas cores. Foi no palácio de Belvedere, quando fiz mochilão pela Europa e passei por Viena.
Eu rodei, rodei, me perdi no museu (só pra manter o costume, hehe) e de longe vi um quadro muito cheio de cor, um jardim lindo e na hora me deu estalo: “é um Monet”. Cheguei mais perto e o tanto de cor me deu até uma tontura (leve e boa, mas não deixa de ser tontura).

De perto, o jardim estava perdido no meio daquele tanto de pincelada nervosa (eu imagino...), nem dava pra dizer que era um jardim, mas o nome estava lá: Claude Monet.
Na hora, minha reação foi rir sozinha e, ao mesmo tempo, chorei (umas quatro lágrimas, mas chorei). Tá, parece exagerado, eu sei. Justo eu que achava Monet um festival de borrão e, pra falar a verdade, não me importava tanto com impressionismo ou com qualquer tipo de pintura que não fosse as cores da parede de casa ou das minhas unhas.

Saí do Palácio mais leve, feliz da vida por ter visto um Monet. E depois fui vendo tantas outras coisas pelo caminho que engavetei essa sensação na memória. Aí essa semana ela veio à tona e acho que entendi o motivo de um quadro de Monet ter me deixado tão eufórica.

A pintura de Monet é a melhor metáfora sobre o que tempo faz com a nossa percepção da vida e de tudo o que acontece com a gente. Na hora, parece um drama ou algo totalmente sem razão, com lógica zero. Tipo aquele sonho que não deu certo e pelo qual você batalhou horrores. Depois de um tempo, o acontecimento sem lógica meio que toma forma e você entende tudo (ou uma parte grande, pelo menos). A vida é uma pintura de Monet, não adianta querer entender de perto, você vai demorar um tempo pra perceber os contornos e as razões de tudo. Não há nada de imediato. Você precisa se distanciar de você pra se entender. Pra mim faz sentido.
Foi esse o dito cujo que me emocionou. Não lembro o nome, só a emoção ;)

P.S.: até o fato de eu demorar pra entender porque gostei tanto do quadro é uma coisa meio Monet. Demorou dois anos quase, sou lenta.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O meu inverno


Acho inverno uma estação desnecessária. Tá, ainda é outono, mas esse vento meio frio já é inverno pra mim.

De todos os motivos pra eu querer pular a estação fria (e isso inclui a dificuldade de acordar, sair do pijama, sair com o cabelo molhado na rua, a saudade cortante de usar short e minissaia...), deve ser o fato de que frio é a estação da intimidade. De ficar abraçado, de dividir o cobertor no sofá na hora do filme, de dividir a(s) garrafa(s) de vinho. De fazer tudo isso até sentir calor. Aquele calor particular, só de duas pessoas.

No frio, é bom sair de mãos dadas, abraçar forte, quase grudar no outro. É no inverno que você percebe que tudo o que mais você precisa tá dentro de casa – ou menos ainda: tudo o que você mais quer e precisa cabe num abraço demorado. Não ter o que mais eu preciso (ou será até não saber do que eu mais preciso?!) é o que congela. Congela mais que o vento gelado, mais que o frio que nem é tão frio assim...

O verão é diferente. É quente o suficiente pra seguir bem sozinha. O verão coloca você pra fora. O inverno coloca você pra dentro de si mesma e isso nem sempre é o espaço mais acolhedor do mundo. Eu não gosto de inverno, mas quero gostar logo. Quero achar o abraço que faça todo o resto ser desnecessário. É pedir muito?
Eu faria igual ao Calvin se existisse neve por aqui


P.S.: cachecóis e pantufas são as únicas partes boas do inverno. Até agora.

domingo, 22 de abril de 2012

Um post monotemático e levemente obsessivo


Uma vez, um amigo me disse que ele prefere minha versão desapaixonada. Disse que quando eu não gosto de nenhum cara fico muito mais bem-humorada, rio de tudo e faço trezentas piadas por minuto (mentira esse número, só gosto de um exagero).  Eu na versão alface (leia-se: apelo sexual zero) sou bem melhor, segundo ele.
Quando eu gosto de alguém, mudo um pouco bruscamente. Fico censurando minhas piadas bestas, fico sorrindo feito adolescente, viro uma dessas meninas que eu desprezo, essas monotemáticas, sabe?

Exemplo de diálogo
Eu: Ai, o fulano é lindo! Ele tem covinha quando sorri!
Qualquer outra pessoa: Você viu a história do Sarkozy tirando o relógio pra cumprimentar as pessoas?
Eu: Ai, acho que o fulano não usa relógio... Já contei como a gente se conheceu?

Eu me transformo na pior versão de mim mesma. A obsessiva. E olha que eu desprezo pensamentos obsessivos. É o tipo de coisa que não combina comigo. Eu gosto de variar meus devaneios ao longo do dia: acordo fazendo planos do meu novo mochilão e vou dormir tendo certeza de que Kristen Stewart vai continuar sem carisma em On The Road. E de um para o outro, passa tanta coisa... “E se eu comprar mesmo um gatinho? Isso, vou comprar. Ah, mas eu mal paro em casa...”, “Será que nunca avisaram a fulana que o hálito dela é terrível? E toda vez que vê, vem dar beijo, creeeedo”, “Vou voltar a assinar o jornal”, “Ano que vem mudo de cidade. Será?”. Infinitas reticências.

Talvez esse meu amigo tenha razão. O problema é que ter uma crush é uma delícia. É um dos melhores sentimentos do mundo, merece mesmo ser engarrafado. De repente você sai da sua vida cinza e enxerga um milhão de cores ao seu redor. E as pessoas a veem desse jeito também. Sim, eu recebi elogios além do pessoal da obra aqui da frente de casa (RISOS).

Vai ver eu preciso voltar pra terapia pra entender porque essa felicidade extra faz a gente ficar tão viciada nela. No geral, eu sou feliz com a minha vida normal porque não acredito que as coisas de fora são motivos de alegria maiores do que os que você guarda dentro de si mesma. Outra coisa que desprezo: muletas pra felicidade. Preciso evoluir nisso. Vou me dar um beliscão toda vez que me pegar obsessiva. Se eu ficar roxa, talvez aprenda. O que mais me deixa brava é precisar de outra pessoa pra nos deixar tão de bem com a vida. Essa felicidade poderia brotar do nada toda vez que acordamos, né?



P.S.: Fall in Love é dessas expressões do inglês que fazem sentido. Você quebra as pernas, cai e não consegue voltar ao normal tão fácil. Vai precisar de um período de “fisioterapia”. É como já disse Steven Tyler, 'cause falling in love is so hard on the knees. Oh, yeap


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Por favor...

Por favor, não me idealize. Esse sorrisão que eu mostro a todo mundo não dura 24 horas. Eu acordo com ele, mas, ao longo do dia, ele vai ficando amarelado. Não pelo café, mas pelos risos sem graça que sou obrigada a disparar. Todo mundo faz isso, a diferença é que sou bem sincera.

Por favor, não acredite que meu bom humor é sem fim. Ele costuma virar mau humor (bem raro, é fato) e aí eu fico uma fera. Tá certo que disfarço direito e só os mais próximos percebem. É claro que tenho os meus dias nublados e de chuva torrencial, claro que tenho: é só que eu não mostro a ninguém. Prefiro que conheçam só a minha versão ensolarada.

Por favor, não caia nessa de que sou a mais saudável das mortais. Eu malho todo dia só pra repetir a sobremesa sem culpa. Só pra tomar café da manhã gordo nos finais de semana. Como fruta com granola pensando no brigadeiro que vou traçar no fim de semana. Mas quem não tem seu ponto fraco?

Por favor, não me ache tão esperta. Também não sou boba (nem modesta), mas acredito que creme anticelulite funciona, tenho certeza de que bater três vezes na madeira isola coisas ruins e que sal grosso afasta mau-olhado, ué. Também acredito no meu final feliz. Utópica?

Por favor, não vá achando que sou tão hippie assim. Gosto do estilo, gosto da filosofia, amo a natureza. Tanto quando sou apaixonada por ar-condicionado e depilação a laser.

Por favor, não me subestime. Eu pareço surda e boba e, na verdade sou meio surda mesmo, mas não sou boba. Ah, não hein. É que às vezes me fazer de boba é o melhor jeito de evitar uma resposta atravessada a essa gente que acha justo descontar suas frustrações nos outros. E eu gosto bem pouco dessa gente.

Por favor, não me ache tão independente. Sim, eu abro vidro de palmito, eu mato barata e troco a lâmpada. Mas amo saber que tem alguém pensando em mim do mesmo jeito que estou pensando nele.

Por favor, não acredite nessa minha versão festeira. Claro que saio e me divirto porque não sou uma ilha. Eu já amei festa, várias vezes fui a última a sair, a primeira a chegar... Mas agora eu amo minha casa, amor ficar só lendo e amo ficar comigo mesma e com meus amigos queridos, nem que seja numa ligação.


Por favor, não pense que sou assim tão livre. Sim, eu odeio gente no meu pé. Mas acredito em encontrar um amor tipo filme-clichê-de-Hollywood. Não acredito em casamento, mas em eternos namorados, companheiros e amigos. E acredito muito que nenhum romance tem futuro quando se divide o banheiro. O casamento pode até ser eterno, mas o romance acaba. 

P.S.:  por favor, só me ache.