A verdade é que o Facebook (de algumas pessoas) fez o amor
virar o maior clichê do mundo. Clichê chato mesmo, não aqueles clichês que até
soam divertidos e se fazem necessários vez ou outra.
Você se apaixona e pronto. A timeline de todos os seus
amigos sofre as consquências de tanto mel e calda de caramelo que sai dos seus
posts. Não quero soar como a Grinch dos casais apaixonados – tô bem longe de
ser assim. Mas é que, sei lá, eu acredito na autocensura e no bom censo.
Explico. Você está feliz da vida, mudou seu status, encontrou o cara (ou a menina) perfeito e dá-lhe mensagens apaixonadas a cada hora, dá-lhe fotos de beijo a cada duas horas, marcação em clipe do rei Roberto duas vezes por dia. Menos, né, gente! Uma vez meu pai me disse que a melhor declaração de amor é aquela mais simples, mais singela e que não é feita de hora em hora. Meu pai também me disse que tudo o que é exagerado tende a durar pouco. Nossa, como eu concordo com ele. A vida e meu pai me ensinaram essa lição.
Acho que quando você quer se derreter vendo amores felizes
vai até a locadora, pega um filme da Julia Roberts e outro da Drew Barrymore,
chega em casa, se joga no pijama, faz pipoca e pronto. Facebook não é locadora
nem cinema. O maior problema das redes sociais são algumas pessoas que não
entendem que a vida delas não é a coisa mais interessante do mundo. Todo mundo
acha que sua história de amor daria um filme, mas nem todas são assim. Senão,
qualquer um poderia ser roteirista de cinema. Algumas histórias chegam a dar
tédio (profundo!). "Conheci ele no primeiro ano do colegial. Começamos a
namorar. Ele pediu um tempo quando foi fazer faculdade. Chorei tanto. Voltamos
e vamos nos casar daqui a um ano". Desculpa, mas isso não dá filme. Tá,
também não é porque dá tédio que é menos amor.
Eu sou muito Mario Quintana way of love. "Se tu me
amas, ama-me baixinho. Não o grites de cima dos telhados. Deixa em paz os passarinhos". Tenho um pouco de
desprezo pelos efusivos da paixão. O fato de você poder declarar na rede e a
todo mundo o seu amor não o torna um amor maior ou mais especial, só mais
visualizado. E isso não quer dizer nada. Pouco importa quantos likes a
declaração a seu lindo. O único like que vale a pena ser levado em consideração
é o que você sente por ele, e vice-versa.
As histórias de amor podem ser todas lindas, desde que não
sejam divulgadas a todo minuto porque aí enjoa. Aí vira o clichê ruim do começo
do texto. Tipo aquele comercial de tevê que, na primeira vez, pareceu divertido
e diferente, mas depois da 168º aparição perdeu a graça. Achei a moral do meu
texto: amor bonito é o amor que não é vendido a toda hora. Uma história de amor
precisa dos seus segredos e das suas supresas, senão vira comercial de rede de
shopping.
Que ilustração mais "uma andorinha só não faz verão", né?
P.S.: eu prometo que quando gostar de alguém não vou virar a chatona-apaixonada porque "a vida é breve, e o amor mais breve ainda...", né, Mario Quintana?!

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Só tome cuidado com o excesso de sinceridade ;)