sábado, 16 de junho de 2012

Sobre sombrinhas e dias de chuva



Eu não sei as suas, mas minhas sombrinhas sempre quebram em dias de chuva forte. Elas não resistem, se quebram no vento, vai ver são feitas de açúcar (definição que minha mãe adora me dar e acho meio correta e meio errada, como toda generalização). Eu entendo que chuvas fortes quebram sombrinhas, mas, caramba, elas não foram criadas pra serem usadas na chuva, na tempestade, no dilúvio?

Quando meu mundo tinha desabado um pouco, choveu a semana toda, de verdade, esqueça o lirismo se é que esse texto tem algum. Óbvio que minha sombrinha me deixou na mão no meio do caminho e eu segui me molhando, cabelo arrepiando, coração derretendo. Sim, o minicaos. Cheguei em casa e fiquei pensando na injustiça que é ter a sombrinha quebrada bem em dia de chuva. Só que aí a voz que mora na minha cabeça e vive interagindo comigo (independente da minha vontade) gritou: “como você queria que ela quebrasse num dia ensolarado se ela só fica guardada?”. 

A voz da razão (que minha mãe colocou em mim via chip desde que vim morar sozinha, eu imagino), eis um clichezão, nunca está errada. As coisas só se quebram quando a gente as coloca em uso. Você já quebrou uma xícara que só fica dentro do armário? Um brinco que nunca sai do porta-joia? Já desfiou uma meia-calça que fica eternamente na gaveta? Sentou em cima do óculos de grau que nunca sai da caixinha? Ganhou uma cicatriz no joelho sem ter corrido como (e com) o vento quando criança? Já teve o coração partido sem ter gostado de alguém? A vida vai quebrando as coisas e a gente, toda vez que as colocamos (e nos colocamos) em uso. Estar vivo não tem nada de ser intacto, não. Estar vivo é ter o poder de se consertar toda vez que o improvável aparece. Porque o improvável faz parte, ué. Você dá a cara a tapa e nem sempre vem um carinho, às vezes vem o tapa mesmo.

Se você se retira do jogo, fica fora de forma. Você quer ficar em stand-by na sua própria vida? Não faz sentido, eu acho apesar de todas as dores e tombos e cicatrizes. No fundo, o segredo das pessoas felizes é a rapidez com que superam um capote e um tapete puxado. Superam de verdade, voltam a rir com alma, sabe? As sombrinhas sempre vão quebrar, isso é inevitável. Mas mais inevitável do que isso é andar na chuva. Qual é a graça de mergulhar se você não entra de cabeça, por dó de estragar o cabelo? Apesar de todos os pesares, é desse jeito que mais gosto. Morno, pra mim, nunca será o novo quente. Pouca maionese nunca é suficiente, eu gosto de me lambuzar sem medo do colesterol. Eu nunca dou pedacinhos do meu coração. Às vezes, me devolvem em pedaços triturados. Tudo bem, deixa que eu tenho a cola pra dar um jeito.

P.S.: seu eu fosse mesmo de açúcar, não escreveria esse texto. Não viveria minha vida assim, na chuva. E eu sei que minha mãe sabe disso ;)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Só tome cuidado com o excesso de sinceridade ;)