domingo, 22 de abril de 2012

Um post monotemático e levemente obsessivo


Uma vez, um amigo me disse que ele prefere minha versão desapaixonada. Disse que quando eu não gosto de nenhum cara fico muito mais bem-humorada, rio de tudo e faço trezentas piadas por minuto (mentira esse número, só gosto de um exagero).  Eu na versão alface (leia-se: apelo sexual zero) sou bem melhor, segundo ele.
Quando eu gosto de alguém, mudo um pouco bruscamente. Fico censurando minhas piadas bestas, fico sorrindo feito adolescente, viro uma dessas meninas que eu desprezo, essas monotemáticas, sabe?

Exemplo de diálogo
Eu: Ai, o fulano é lindo! Ele tem covinha quando sorri!
Qualquer outra pessoa: Você viu a história do Sarkozy tirando o relógio pra cumprimentar as pessoas?
Eu: Ai, acho que o fulano não usa relógio... Já contei como a gente se conheceu?

Eu me transformo na pior versão de mim mesma. A obsessiva. E olha que eu desprezo pensamentos obsessivos. É o tipo de coisa que não combina comigo. Eu gosto de variar meus devaneios ao longo do dia: acordo fazendo planos do meu novo mochilão e vou dormir tendo certeza de que Kristen Stewart vai continuar sem carisma em On The Road. E de um para o outro, passa tanta coisa... “E se eu comprar mesmo um gatinho? Isso, vou comprar. Ah, mas eu mal paro em casa...”, “Será que nunca avisaram a fulana que o hálito dela é terrível? E toda vez que vê, vem dar beijo, creeeedo”, “Vou voltar a assinar o jornal”, “Ano que vem mudo de cidade. Será?”. Infinitas reticências.

Talvez esse meu amigo tenha razão. O problema é que ter uma crush é uma delícia. É um dos melhores sentimentos do mundo, merece mesmo ser engarrafado. De repente você sai da sua vida cinza e enxerga um milhão de cores ao seu redor. E as pessoas a veem desse jeito também. Sim, eu recebi elogios além do pessoal da obra aqui da frente de casa (RISOS).

Vai ver eu preciso voltar pra terapia pra entender porque essa felicidade extra faz a gente ficar tão viciada nela. No geral, eu sou feliz com a minha vida normal porque não acredito que as coisas de fora são motivos de alegria maiores do que os que você guarda dentro de si mesma. Outra coisa que desprezo: muletas pra felicidade. Preciso evoluir nisso. Vou me dar um beliscão toda vez que me pegar obsessiva. Se eu ficar roxa, talvez aprenda. O que mais me deixa brava é precisar de outra pessoa pra nos deixar tão de bem com a vida. Essa felicidade poderia brotar do nada toda vez que acordamos, né?



P.S.: Fall in Love é dessas expressões do inglês que fazem sentido. Você quebra as pernas, cai e não consegue voltar ao normal tão fácil. Vai precisar de um período de “fisioterapia”. É como já disse Steven Tyler, 'cause falling in love is so hard on the knees. Oh, yeap


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