Uma das coisas que eu mais gosto é começar. Começar qualquer coisa me deixa feliz. Quando eu era criança, começar caderno me deixava nas nuvens (ainda bem que a gente cresce e descobre outras coisas que nos deixa nas nuvens...). Eu prometia a mim mesma que aquele caderno merecia a letra mais linda do mundo e ia assim até o dia que percebia que estava mais interessada na fofoca da minha amiga do que em registrar a matéria... Aí fazia qualquer garrancho só pra ouvir a última-pérola-sobre-a-fulana-que-eu-mal-conhecia. Deve ter sido nessa hora que eu saquei uma coisa importante: prioridades, ué!
Os começos de filmes são outros começos bons. Sou louca pelo música da Twentieth Century Fox e me sinto a pessoa mais sortuda do mundo quando to zapeando e vejo que vai começar um filme. Pode ser besta. Pode ser American Pie 3 ou Um Amor de Tesouro, mas, se pego no começo, fico na obrigação de assistir pelo menos dez minutos. Pra não estragar a sorte, sabe?
Começo de vidro novo de hidratante, a mesma paixão. Eu nunca repito o mesmo cheiro porque adoro as nuances diferentes que uma fragrância nova parece fazer na minha personalidade. Pode ser imperceptível a olhos estranhos, mas quase sempre muda uma coisinha.
Novas paixões, então. E olha que nem me refiro aos homens (porque essas não mecerem só um parágrafo de um post). Tipo paixão por uma música nova (ou velha, mas que acabei de descobrir). A cada vez que eu ouço e percebo um detalhe e um rouquinho diferente na voz do vocalista, ouço de novo e de novo... Banda nova, a mesma história. Mas aí é um CD inteiro que tenho pra ouvir e descobrir rouquinhos, agudos e riffs sensacionais.
Outra nova paixão: um sabor diferente de sorvete. E eu percebo que poderia viver pra sempre daquele sorvete (sem comer nada salgado), nadar numa piscina cheia dele, enfim, virar criança e sujar o nariz enquanto toma sorvete. Até que eu enjoo e descubro outro.
Começar um livro é o principal dos meus começos preferidos. Você começa lendo sendo você mesma, mas não sabe direito como vai terminar, quem você vai ser no final. Livro bom, pra mim, é aquele que me deixa confusa comigo mesma. Vai ver por isso eu enrolo horrores pra terminar um livro, não quero me desprender de algo que mudou meu jeito de encarar as coisas. E encarar a mim mesma, acima de tudo.


