sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Por favor...

Por favor, não me idealize. Esse sorrisão que eu mostro a todo mundo não dura 24 horas. Eu acordo com ele, mas, ao longo do dia, ele vai ficando amarelado. Não pelo café, mas pelos risos sem graça que sou obrigada a disparar. Todo mundo faz isso, a diferença é que sou bem sincera.

Por favor, não acredite que meu bom humor é sem fim. Ele costuma virar mau humor (bem raro, é fato) e aí eu fico uma fera. Tá certo que disfarço direito e só os mais próximos percebem. É claro que tenho os meus dias nublados e de chuva torrencial, claro que tenho: é só que eu não mostro a ninguém. Prefiro que conheçam só a minha versão ensolarada.

Por favor, não caia nessa de que sou a mais saudável das mortais. Eu malho todo dia só pra repetir a sobremesa sem culpa. Só pra tomar café da manhã gordo nos finais de semana. Como fruta com granola pensando no brigadeiro que vou traçar no fim de semana. Mas quem não tem seu ponto fraco?

Por favor, não me ache tão esperta. Também não sou boba (nem modesta), mas acredito que creme anticelulite funciona, tenho certeza de que bater três vezes na madeira isola coisas ruins e que sal grosso afasta mau-olhado, ué. Também acredito no meu final feliz. Utópica?

Por favor, não vá achando que sou tão hippie assim. Gosto do estilo, gosto da filosofia, amo a natureza. Tanto quando sou apaixonada por ar-condicionado e depilação a laser.

Por favor, não me subestime. Eu pareço surda e boba e, na verdade sou meio surda mesmo, mas não sou boba. Ah, não hein. É que às vezes me fazer de boba é o melhor jeito de evitar uma resposta atravessada a essa gente que acha justo descontar suas frustrações nos outros. E eu gosto bem pouco dessa gente.

Por favor, não me ache tão independente. Sim, eu abro vidro de palmito, eu mato barata e troco a lâmpada. Mas amo saber que tem alguém pensando em mim do mesmo jeito que estou pensando nele.

Por favor, não acredite nessa minha versão festeira. Claro que saio e me divirto porque não sou uma ilha. Eu já amei festa, várias vezes fui a última a sair, a primeira a chegar... Mas agora eu amo minha casa, amor ficar só lendo e amo ficar comigo mesma e com meus amigos queridos, nem que seja numa ligação.


Por favor, não pense que sou assim tão livre. Sim, eu odeio gente no meu pé. Mas acredito em encontrar um amor tipo filme-clichê-de-Hollywood. Não acredito em casamento, mas em eternos namorados, companheiros e amigos. E acredito muito que nenhum romance tem futuro quando se divide o banheiro. O casamento pode até ser eterno, mas o romance acaba. 

P.S.:  por favor, só me ache.