sábado, 15 de outubro de 2011

O fim mandou lhe dar tchau

A vida inteira eu passei achando que finais mal-resolvidos precisavam de um ponto final. Seja pra me libertar da história, seja pra história ter um final quando eu fosse contá-la aos meus amigos. Não sei bem quando eu descobri que os finais não precisam de exatidão, só precisam mesmo que você decrete que acabou. E essa foi uma das descobertas mais libertadoras que eu tive (depilação definitiva foi outra... hehe).

Pra que viver esperando que alguém termine sua história se você mesmo pode fazer isso? Preguiça? Medo de ficar sozinho? Medo de virar a página? Ah, não. Virar a página (ou até trocar o livro) é uma das melhores coisas que você faz pela sua própria vida. Cansou? Troca de história, simple like that. Isso se você for levemente viciado em adrenalina e, ao mesmo tempo, seguro na sua monotonia. Ficar sozinho tem dessas: às vezes, cansa de ver a mesma paisagem, de sentir todo dia a mesma coisa. Às vezes, dá tontura de tanto que a paisagem muda (leia-se viagens e carnavais).

Ter a coragem de dar fim às suas próprias histórias tem absolutamente tudo a ver com o fato estar feliz na sua solidão. E não me ache triste por escrever solidão. Triste é você que não tem coragem de ficar só, na sua própria companhia. Enquanto você está sozinho, você se aperfeiçoa, você cresce com suas próprias pernas. Essa coisa de um que completa o outro é besteira. Eu não aceito ninguém que precise de mim pra ficar inteiro ou pra parar em pé (a não ser que nós dois tenhamos tomado o maior porre). Vá fazer terapia. Vá fazer crochê. Ou vá procurar uma fulaninha que aceite alguém pela metade.

A gente fica muita nessa noia de filme de Hollywood, esperando (e roendo as unhas e os milhos que sobraram no balde de pipoca) pelo The End. Na vida real, o The End já chegou, os créditos já subiram e só você não viu que era o fim da sua história porque achou que estava vivendo outra história. Menos imaginação, mais ação. Mais coragem, mais autonomia. Menos usar os outros de bengala. Isso sim é um final triste. De chorar, viu.

Eu prefiro That's All Folks a The End, e você?

P.S.: sou igualzinha a Alanis Morissette, I don't want to be your other half I believe that 1 and 1 make 2

domingo, 2 de outubro de 2011

Ou sente ou não sente

Indiferença ou fingindo indiferença? Vou passar a vida tentando distinguir a diferença entre essas duas coisas. Um saco isso, principalmente pela total oposição de significado. Uma pessoa indiferente não tá nem ligando, ela olha pra você com o mesmo sentimento com que admira (?) um vaso rachado, uma parede desbotada ou pra uma jaca bem madura. Desprezo involuntário, meu amigo. O sentimento menos sentimento do mundo.

Já quem pretends to be faz de difícil e não olha de cara, mas é só o fulano pra quem ele finge o desinteresse dar as costas que o suposto indiferente começa admirar o que dá pra ser visto. O desenho da camiseta na parte de trás, o jeito com que a calça molda o bumbum (ah, vai dizer que você nunca reparou?), a nuca... Até que o fulano vira e você se presta ao papel de olhar o... chão. Não dá pra perder a banca de indiferente. O fingidor adora de um jeito sufocado, sente por todos os poros, mas abafa.

Indiferente nem guarda mais o número na agenda do celular. Quem finge abre a janela do bate-papo umas quatro vezes, digita, apaga, digita, apaga e não manda nada no fim. Indiferente sorri o mesmo sorriso pra você e pra um cara que faz a piada mais sem graça do mundo. Tanto faz, ué. Quem finge mostra todos os dentes no sorriso mais largo do mundo quando recebe um “oi. E aí?” de quem finge não gostar. Escapou, ué.

E todo mundo já viveu esses dois papéis na vida. Às vezes ao mesmo tempo. Só acho que ser indiferente todo o tempo e com todos é um pouco triste, quem é indiferente não sente. Não sentir é um pecado.



P.S.: It's not what I didn't feel, it's what I didn't show, né, Adam Levine?!