domingo, 26 de junho de 2011

Olhos, esses traiçoeiros...

Você se acha muito indiferente ao excesso de sentimento e às vezes até é. Gostar, se decepcionar, sofrer, esquecer no dia seguinte... E beleza.
É tipo aquela alegria de ser sincero ao dizer “desencana. Tá tudo bem” e está tudo bem mesmo.
O problema é quando você insiste no refrão desencana-tá-tudo-certo e seus olhos dizem exatamente o oposto. Quase como se eles dissessem: “tá ouvindo o que essa maluca disse? Pois é tudo ao contrário”. É aí que você descobre que é péssima na arte de enganar... a si própria. E consequentemente quem você queria que pensasse que você é forte, independente e indiferente. Ah tá.
Olhos são a parte mais honesta de alguém. Não confio em quem não fala olhando no olho, pessoas assim são a pior espécie de covarde. Eu nunca vi olhos mentirem. Se você mente, seus olhos se abaixam. Se você mente olhando nos olhos do outro, eles contam toda a verdade. Algumas das melhores palavras, as mais doces e sinceras, são ditas só com o olhar. E essas palavras são as que mais valem guardar. Porque, a não ser que você seja um ator cheio das estatuetas, essas palavras têm aquela honestidade que corta até.
Declarações faladas com os olhos merecem ser engarrafas pra ficarem eternas. Declarações faladas com os olhos e seguidas de um toque suave me matam de alegria.
Ele diz: "fica comigo". Ou você não ouviu viu?


P.S.: se o seu primeiro beijo com alguém que valha muito a pena não foi dado com os olhos, pode ter certeza de que não valeu tanto assim. A vida é mais viva pra quem sente a faísca no olhar e não tem medo de enxergar.

sábado, 18 de junho de 2011

O perigo de ser eclético

Se tem uma palavra que perdeu o sentido, pra mim, essa palavra é eclético. Eclético em relação a gosto musical, tá? Não em relação a crenças e teorias e blábláblá. Eu mesma morro de medo de me rotular eclética quanto ao que curto ouvir.

Explico: eu acredito no meu bom gosto musical. Eu sei que nem todo pop (de hoje em dia...) é porcaria e que nem todo rock’n’roll vai pro céu inferno. Sei melhor ainda que pagode nunca vai ser samba e que nem todo samba é digno de ziriguidum.
Gosto do Paulinho da Viola com o mesmo amor que sinto pelo Foo Fighters. Alanis Morissette e The Cure são igualmente apreciados. Aerosmith coabita meu porta-CDs sem briga alguma Jamie Cullum e Madonna (a dos anos 80). John Mayer, Michael Jackson, Mariah Carey (ah, eu sou menininha, me deixa...), Jorge Aragão, Rolling Stones, Marisa Monte, Strokes, The Killers, Los Hermanos, Maroon 5 e Bon Jovi nunca, jamais se pegaram na minha gaveta de CDs (ãham, eu tenho CDs, essa coisa pré-histórica). Ben Harper e Eagle-Eye Cherry se revezam na minha playlist sem problemas, que, vez ou outra, abre espaço para Chitão, Xororó e sua linda Evidências. Rei Roberto e rei Elvis têm o mesmo poder de me emocionar. Fábio Jr. cai bem na TPM... Assim como Regina Spektor. E o que dizer da Adele?! Quisera eu perder o namorado e fazer um CD tão lindo (digo o mesmo da Amy Winehouse).

Só coloquei essa imagem porque achei tão linda e dourada (e o texto tá gigante) #hehehe


Se tem melodia gostosa e letra que emociona, surpreende ou os dois ao mesmo tempo, eu vou gostar. Amando tanta coisa, é provável que seja eclética. Mas o problema é que hoje em dia qualquer fulano que não entende nada de ritmo, letra e sons que fazem bem ao ouvido se julga eclético. Ser eclético não é gostar do “sertanejo” universitário e do “rock” dessas bandas que brotam de hora em hora e que mal duram dois CDs de inéditas. Ser eclético não é gostar de tudo o que toca em rádio. Isso é não ter bom gosto musical.

Toda vez que assisto aos clipes do Multishow ou da MTV eu me pergunto se Michael Jackson não morreu de desgosto ao ver o que virou o pop que ele tanto tratou bem, óbvio que ele precisava de analgésico vendo essa palhaçada toda. Toda vez que vejo uma banda/cantora que investe mais em coreografia que na sua música eu me lembro do meu pai questionar: “mas isso influencia na venda de CDs, é? Por quê, filha?”. 

Papis é expert em me deixar sem resposta. Tipo o dia em que ele veio querer saber o porquê de sertanejo universitário: "é porque as letras são mais inteligentes já que eles vão à faculdade, é isso, filha?". Fiquei com dó de falar a real... A única coisa que eu sei disso tudo é que ser eclético não é gostar de dois ou três cantores que tocam loucamente em rádio, mas que, ao ouvir o CD inteiro, você nem percebe que mudou de música. Isso é ter preguiça de procurar música boa, que coisa feia...

Músicos bons me causam o mesmo desespero que saber que o mundo é tão grande e que provavelmente não vou dar conta de visitar. Tem tanta gente boa por aí que dificilmente eu vou conhecer porque a indústria musical ama um som parecido e barulhento.

Adoro o Google porque ele sempre adivinha o que quero pra ilustrar meus posts. Rá!


P.S.: Essa história de dizer que o fulano é o novo ciclano me faz acreditar que o mundo só quer mesmo é saber das cópias

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O porquê de eu não fugir de spoilers

Toda vez que começo a ler um livro novo, corro para as páginas finais. Eu sempre leio uma revista do final para o começo, é muito melhor começar com o cronista da publicação, que, pra mim, é o resumo das intenções, da alma e do coração dela.
Eu só vou ao cinema sabendo boa parte da história do filme. E até prefiro saber o final. Não acho que esse meu hábito estrague o prazer de me entregar a uma história. Pelo contrário. Assim que eu acalmo minha curiosidade-monstra, fica muito mais divertido apreciar o durante, perceber as dicas que levam ao final.
É, tipo esse cachorro...

Pouca gente se entrega a histórias desse jeito. Pra falar a verdade, só conheço meu pai e eu mesma que fazemos isso. Meu pai é até pior, ele precisa ter certeza de que seu personagem preferido não vai morrer, senão...

Por um segundo, eu imaginei que essa minha adoração por spoilers tivesse a ver com o medo de me decepcionar. Por exemplo, em um romance que você quer muito que o casal principal termine junto, mas o galã morre ou trai ou decide que gosta mesmo de homens (ah, vida...), o final vai ser triste, mas, mesmo sabendo dele, eu não vou deixar de ver o filme. Vou é me concentrar no durante pra, depois, poder falar com propriedade: “Como a fulana não percebeu que ele era gay? Ele usava o hidratante da Victoria's Secret dela!” ou “Como ela não se tocou que era chifrada? Ninguém viaja todo final de semana a trabalho nem dá joias caras à secretária”. Ou seja, não é medo. É só curiosidade mesmo.

Dia desses li uma crônica do Matthew Shirts no Estadão (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110606/not_imp728408,0.php) que dizia que um dos motivos de a Jennifer Aniston vender tanta revista é que ninguém sabe o final da vida dela. Ela desperta curiosidade. Tá vendo? O mundo também é bem doido por um spoiler (fofoca?) da vida alheia!
Igual ao Bart...

É por isso que eu acho que deveria existir videntes que acertam mesmo ou que, assim que a gente nasce, ganhamos um traçado dos nossos anos. Pouparia tempo e sentimento. Economizaria estresse e chocolate. E deixaria a gente mais tranquila em relação às barreiras no meio do nosso caminho. “Tudo bem, vou chorar só um pouquinho pra fazer charme, sei que já, já ele vem correndo pedir desculpas”. “Ok, vou aguentar essa aula tediosa porque ela é a certeza do meu emprego com salário enorme”, essas coisas... Seria bom ter uma garantia de que no final tudo dá certo mesmo porque só desse jeito a gente tem paciência pra esperar o final.

P.S.: o horóscopo bem poderia ser um spoiler (REAL) do nosso mês, né?