Uma dúvida: por que tristeza é blue? Acho azul mais lindo que amarelo
Eu queria ser uma dessas pessoas que são felizes com coisas
óbvias e fáceis, sabe? Dessas que, se estão tristes, vão ao shopping,
assassinam o cartão e saem leves e felizes. Acho o máximo gente que consegue
comprar a alegria em suaves (ou nem tão suaves) prestações. Eu sou daquelas que
sai do shopping com uma peça da qual não precisava pensando, “por que eu fiz
isso, eu não precisava!”, com aquela cara de perseguida pela polícia ou de
criança que se lambuzou com a sobremesa antes do almoço, culpada, culpada,
culpada. Porque eu acho que todo dinheiro que sobra tem um destino certo:
viajar. Viajar pra lavar a alma e conhecer gente e lugares que fazem você ser
um pouco mais você. Eu sou uma mistura de experiências e sensações, sou a soma
de um céu azul diferente, de um pé na bunda quase inesquecível, de um sorriso
que veio de um desconhecido e de um doce escandaloso de gostoso.
Definitivamente eu não sou as peças do meu guarda-roupa, elas só vestem minha
alma perdida, que insiste em achar que a felicidade está sempre ao nosso lado,
mas às vezes escorrega e se perde nos outros que passam pela nossa vida.
Queria ser constante e quase indiferente, como essas pessoas
que parecem nunca sair da linha reta que é a vida delas. Estudar, arrumar um
emprego, casar, ter filhos, trocar de carro e viajar com o décimo terceiro.
Minha vida às vezes para e às vezes dá um looping meio louco. Eu não sei o meu
final e, ao mesmo tempo em que acho isso máximo, tenho pavor de não saber. Um
spoiler, por favor. Não, eu não coloco tudo nas mãos do destino. Mas algumas
coisas são destino puro. Felizmente ou infelizmente eu ainda descubro.
Adoraria ser gulosa e compensar minhas frustrações na
comida. Dia desse li uma frase, que era algo do tipo “If you’re eating a lot,
what is eating you?”, eu sou assim. Não que eu não ame comer, mas não como por
compensação. No fim das contas, não compensa ficar com excesso de celulite só
por um problema que logo passa. Aliás, a maioria dos problemas sempre passa
logo. Esses probleminhas banais hoje em dia me fazem ficar indiferente porque
pra tudo dá-se um jeito. Vai ver isso é amadurecer. O único problema que
persiste é o vazio que fica em cada momento mais feliz, em cada tristeza mais
desesperadora, em cada situação mais à toa... Não, não é fome. É falta de ter
alguém pra dividir tudo. Camaradagem além da amizade, além da relação
mãe-filha, pai-filha. Alguém pra beijar rindo e rir junto beijando. Isso faz
muita falta, mas não e faz perder as esperanças, nem me deixa mais triste ou incompleta. A
felicidade eu guardo no bolso, mas às vezes esqueço de tirar do bolso de uma
calça pra colocar na outra. Quando eu a encontro, é como achar uma nota de dez
reais (ou dois ou cinqüenta, whatever...).
P.S.: vou lá comer um brigadeiro porque hoje é domingo e
domingo compensa tudo.

