domingo, 27 de maio de 2012

Mr. Right... Now!


Adivinha quem sou eu na ilustração?!

Eu não sou nada fã de violência, passo longe até das reportagens sobre UFC, mas sinto uma vontade (totalmente controlável, é claro) de socar alguém que vira e diz: “calma, quando você menos esperar, a pessoa certa vai aparecer”. Se fosse uma única pessoa que dissesse isso, eu iria esquecer. Aquela coisa de entra-por-um-ouvido-sai-pelo-outro... Mas não, todos os meus amigos adoram me dizer essa frase. (Só um parênteses necessário, eu continuo adorando os meus amigos que me dizem isso, nunca vou socá-los, é só coisa de momento).

A verdade é que é bem simples e fácil pra alguém que está feliz com o namorado/marido/gato de estimação aconselhar uma solteira de alma perturbada e meio louca. Ela está lá, no conforto do abraço, vendo tudo como telespectadora. Não é ela quem está perdendo os cabelos, morrendo de gastrite, perdendo o sono ao se questionar se-eu-não-fiz-nada-de-errado-e-se-eu-sou-assim-tão-legal-por-que-não-deu-certo?!, e acordando com a mesma pergunta martelando no cérebro. Todo mundo que namora, casa ou arruma um gato de estimação se esquece de como é triste não ter ninguém. Pior: não ter a esperança de ter alguém.

O chavão da autoestima de que você precisa se sentir bem consigo mesma e se amar pra alguém te amar de volta eu já mandei pro espaço faz tempo. Faz 28 anos que eu sou sozinha e faz 28 anos que as pessoas dizem que eu sou bem-humorada. Faz cinco anos que moro sozinha e sou feliz assim, me divirto e ocupo tanto as 24 horas do meu dia que queria que elas virassem 28, pelo menos. Faz, no mínimo, dez anos que eu ouço o espera-uma-hora-o-cara-certo-aparece e já enjoei. Por que ele demora tanto, caramba?! Será que o problema é que me dou bem com a minha solidão? Eu posso brigar com ela, se for o caso.

Eu já abri tanto as minhas exceções que eu nem sei mais o que cara precisa ter pra ser o certo, quer dizer, eu sei. Só que isso não diminui o fato de que essa Instituição Do Cara Certo é uma baita besteira. O que faz um cara ser certo? Não fumar, não beber, praticar esportes e não comer carne na quaresma? Bom, se for isso, eu aceito um Cara Errado desde que ele não me magoe e me trate como eu mereço (porque eu tô solteira, ok, mas não desesperada).

Quer dizer, um pouco de desespero impaciência pode ser que exista. É uma sensação de estar na fila de espera há muito tempo e sempre que sua vez está pra chegar, aparece alguém pra entrar na sua frente por conta das suas características especiais. Hei, eu também tenho minhas características especiais. Todo mundo que sentou comigo na sala de espera já casou e eu continuo lá, fazendo piada (eu cansei de fazer graça!), provando pro responsável pela Instituição Do Cara Certo que eu vou bem sozinha. Ter meu apartamento, ser independente, me virar na cozinha, consertar o chuveiro, matar barata (no grito, mas enfim...) ainda não serviram pra Instituição. Preciso aprender a voar? Sério, se for isso eu tento, ué.

Eu já vivi tanta coisa, já consertei tanto meu coração (esse mutante) e continuo acreditando na maldita Instituição Do Amor. Sério, quando os deuses vão provar que eu não acreditei em vão? Que malhar teve uma razão, que me maquiar (e tirar a maquiagem quando chegava de madrugada) teve um bom motivo, que levar tanto pé na bunda finalmente me empurrou pra frente? Eu quero pra ontem, cansei de esperar. E não é por isso que aceito qualquer coisa. Ainda acredito, apesar de todas as mudanças pelas quais meu conceito de homem ideal passou, que O Cara Certo abre a porta do carro, pelo menos uma vez na vida se oferece pra pagar a conta, é cheiroso, tem barba por fazer, usa camisa xadrez (e não gosta de sertanejo), dá risada das minhas besteiras e gosta de mim por e apesar de tudo o que eu sou. Tô esperando e não saio dessa vida sem ele.

P.S.: me recuso a comprar um gato de companhia. Quero um gato de estimação, mas só compro depois que o Cara Certíssimo chegar. Claro, chegar e não for embora.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Fake plastic heart


As palavras que mais fazem pensar são aquelas que não são ditas. Essas são as que mais tiram o chão, o sono e a cabeça do lugar. Elas são eloquentes e podem doer, só depende da ocasião que são usadas, quer dizer, que não são usadas.

As palavras que magoam, você supera. As palavras que elogiam, você acaba deixando de lado ou esquecendo (não sei o porquê, mas isso acontece). Eventualmente tudo passa. Menos a sensação do que não foi dito. Você pode se lembrar menos das não-palavras com o passar dos dias, mas vai se lembrar da falta que elas fizeram toda vez que o assunto voltar à sua memória.

Ainda quando as palavras não ditas são aquelas carinhosas, trocadas no silêncio de um olhar, tudo bem. Acredito muito no poder das declarações ditas no silêncio de um olhar. Tudo começa com um olhar mais demorado. E tudo começa a desmoronar na falta de coragem de olhar. Essa é a verdade.

Agora, as palavras não explicadas, aquelas que fazem você imaginar o quanto errou sem ter errado, essas machucam feito uma faca no peito. Agir indiferente com quem tem sentimentos e boa vontade com você é o maior pecado. A crueldade de que se é capaz, deixar pra trás os corações partidos, como já cantou Herbert Vianna. Não vou entrar na questão pequeno-principiana de que se é responsável por quem cativa porque não acredito nela. Mas acredito no respeito. E como acredito. 

Corajosos perguntam, morrendo de medo da verdade. Covardes fogem das resposta porque sabem o quanto estão errados. As palavras não ditas, no fundo, são isso mesmo: o silêncio de quem age com covardia. O motivo de eu (você e tanta gente) se mortificar questionando quais seriam essas palavras é injusto, mas acontece com quem tem coração. O coração costuma sangrar na dúvida. Mesmo assim ainda prefiro um coração sangrando a um fake plastic heart.
Sometimes everybody cries =\

P.S.: se inventam vacina pra gripe, por que não algo pra imunizar o coração por sentimentos desperdiçados com idiotas?


terça-feira, 15 de maio de 2012

Menos é mais. Bem mais


A verdade é que o Facebook (de algumas pessoas) fez o amor virar o maior clichê do mundo. Clichê chato mesmo, não aqueles clichês que até soam divertidos e se fazem necessários vez ou outra.
Você se apaixona e pronto. A timeline de todos os seus amigos sofre as consquências de tanto mel e calda de caramelo que sai dos seus posts. Não quero soar como a Grinch dos casais apaixonados – tô bem longe de ser assim. Mas é que, sei lá, eu acredito na autocensura e no bom censo.

Explico. Você está feliz da vida, mudou seu status, encontrou o cara (ou a menina) perfeito e dá-lhe mensagens apaixonadas a cada hora, dá-lhe fotos de beijo a cada duas horas, marcação em clipe do rei Roberto duas vezes por dia. Menos, né, gente! Uma vez meu pai me disse que a melhor declaração de amor é aquela mais simples, mais singela e que não é feita de hora em hora. Meu pai também me disse que tudo o que é exagerado tende a durar pouco. Nossa, como eu concordo com ele. A vida e meu pai me ensinaram essa lição.

Acho que quando você quer se derreter vendo amores felizes vai até a locadora, pega um filme da Julia Roberts e outro da Drew Barrymore, chega em casa, se joga no pijama, faz pipoca e pronto. Facebook não é locadora nem cinema. O maior problema das redes sociais são algumas pessoas que não entendem que a vida delas não é a coisa mais interessante do mundo. Todo mundo acha que sua história de amor daria um filme, mas nem todas são assim. Senão, qualquer um poderia ser roteirista de cinema. Algumas histórias chegam a dar tédio (profundo!). "Conheci ele no primeiro ano do colegial. Começamos a namorar. Ele pediu um tempo quando foi fazer faculdade. Chorei tanto. Voltamos e vamos nos casar daqui a um ano". Desculpa, mas isso não dá filme. Tá, também não é porque dá tédio que é menos amor.

Eu sou muito Mario Quintana way of love. "Se tu me amas, ama-me baixinho. Não o grites de cima dos telhados. Deixa em paz os passarinhos". Tenho um pouco de desprezo pelos efusivos da paixão. O fato de você poder declarar na rede e a todo mundo o seu amor não o torna um amor maior ou mais especial, só mais visualizado. E isso não quer dizer nada. Pouco importa quantos likes a declaração a seu lindo. O único like que vale a pena ser levado em consideração é o que você sente por ele, e vice-versa.

As histórias de amor podem ser todas lindas, desde que não sejam divulgadas a todo minuto porque aí enjoa. Aí vira o clichê ruim do começo do texto. Tipo aquele comercial de tevê que, na primeira vez, pareceu divertido e diferente, mas depois da 168º aparição perdeu a graça. Achei a moral do meu texto: amor bonito é o amor que não é vendido a toda hora. Uma história de amor precisa dos seus segredos e das suas supresas, senão vira comercial de rede de shopping.

Que ilustração mais "uma andorinha só não faz verão", né?


P.S.: eu prometo que quando gostar de alguém não vou virar a chatona-apaixonada porque "a vida é breve, e o amor mais breve ainda...", né, Mario Quintana?!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Da série: eu pergunto se não entender, tá?


Diga assim: “é que você não entendeu...”. E pronto! Você já vai parar na minha lista (a ruim, claro) com grifa-texto no nome. Sério, eu não consigo acreditar que exista gente que diz isso. Será que esse tipo acha que pode invadir a nossa cabeça e entrar na lista dos assuntos não-entendidos? É muito se achar superior, santo excesso de autoestima...

Já faz um tempo que fui a um show terrível, banda péssima, música idem. Senti tanto tédio que achei que tédio pudesse matar. Como não matou, fui me sentar longe do pessoal e do som terrível (foi impossível). Tava feliz, conversando com outros amigos (que não tinham gostado também), até que chegou uma conhecida, tiete da tal banda, e virou assim: “vocês não gostaram porque não entenderam a proposta da banda”. Oi? Como a fulana poderia supor que eu não entendi?! Fiquei possuída de raiva e só consegui responder: “entendi, sim. E não gostei”. E fui embora bufando, pensando em trezentas melhores respostas (até hoje, uns três anos depois, eu penso na repostas ideal pra ela).

Passou o tempo, eu quase superei, pelo menos agora eu faça piada... E lá veio a situação número dois. Texto terrível. Fui com toda a delicadeza pedir modificações e, tchãrãm, “a graça desse texto é ficar assim mesmo, você não entendeu...”. Meu Senhor do Bom Texto, as pessoas precisam aprender a ouvir mais críticas – as construtivas, é claro. Opiniões diferentes fazem o mundo ser um lugar melhor e mais interessante. Ninguém é tão soberano assim.

Cada um entende de um jeito. Tá certo, alguns entendem menos. Alguns acham poesia sertanejo universitário (arrepio ruim agora...), mas não cabe a ninguém julgar. Outros se empolgam com música sem refrão, sem fim, sem começo, sem bateria nervosa... Outros amam ler autoajuda, acham Paulo Coelho ótimo. Eu aceito o gosto de todo mundo, desde que não venham me dizer que não gostei porque não entendi a proposta.

A verdade é que eu tenho medo do excesso de autoestima nas pessoas. Elas se sentem tão inteligentes que acham que são melhores. Você pode ser inteligente, mas só inteligente de verdade quando não subestima as pessoas. Tá, confesso: ok eu subestimo um tiquinho quem rima amor/dor e paixão/coração. Mas só um pouco ;)
Eu acrescentaria a isso: Don't judge people you don't know

P.S.: sério, acho que deveriam cobrar multa de gente com autoestima demais. Não cobram do excesso de velocidade?
P.S.2: eu mostra a língua imaginária pra quem vira pra mim e pergunta: "entendeu?". Se eu não entendesse, perguntava, caramba! 


domingo, 6 de maio de 2012

A vida é uma pintura de Monet


Não sei exatamente o porquê, mas nessa semana eu fiquei me lembrando muito da sensação que tive ao ver o primeiro quadro de Monet, ao vivo e a muitas cores. Foi no palácio de Belvedere, quando fiz mochilão pela Europa e passei por Viena.
Eu rodei, rodei, me perdi no museu (só pra manter o costume, hehe) e de longe vi um quadro muito cheio de cor, um jardim lindo e na hora me deu estalo: “é um Monet”. Cheguei mais perto e o tanto de cor me deu até uma tontura (leve e boa, mas não deixa de ser tontura).

De perto, o jardim estava perdido no meio daquele tanto de pincelada nervosa (eu imagino...), nem dava pra dizer que era um jardim, mas o nome estava lá: Claude Monet.
Na hora, minha reação foi rir sozinha e, ao mesmo tempo, chorei (umas quatro lágrimas, mas chorei). Tá, parece exagerado, eu sei. Justo eu que achava Monet um festival de borrão e, pra falar a verdade, não me importava tanto com impressionismo ou com qualquer tipo de pintura que não fosse as cores da parede de casa ou das minhas unhas.

Saí do Palácio mais leve, feliz da vida por ter visto um Monet. E depois fui vendo tantas outras coisas pelo caminho que engavetei essa sensação na memória. Aí essa semana ela veio à tona e acho que entendi o motivo de um quadro de Monet ter me deixado tão eufórica.

A pintura de Monet é a melhor metáfora sobre o que tempo faz com a nossa percepção da vida e de tudo o que acontece com a gente. Na hora, parece um drama ou algo totalmente sem razão, com lógica zero. Tipo aquele sonho que não deu certo e pelo qual você batalhou horrores. Depois de um tempo, o acontecimento sem lógica meio que toma forma e você entende tudo (ou uma parte grande, pelo menos). A vida é uma pintura de Monet, não adianta querer entender de perto, você vai demorar um tempo pra perceber os contornos e as razões de tudo. Não há nada de imediato. Você precisa se distanciar de você pra se entender. Pra mim faz sentido.
Foi esse o dito cujo que me emocionou. Não lembro o nome, só a emoção ;)

P.S.: até o fato de eu demorar pra entender porque gostei tanto do quadro é uma coisa meio Monet. Demorou dois anos quase, sou lenta.