quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Quem é o zumbi da história?



Os zumbis são eles ou sou eu? Saí com essa dúvida da última vez que subi no salto, escolhi um vestido bonito, me aventurei pela caixa de maquiagem e fui encarar uma balada. Eu já fui muito das baladas, tinha pique pra chegar às cinco da manhã em casa, dormir uma horinha, tomar banho, café extra-forte e encarar mais um dia. Já viajei sem ter onde ficar só por uma micareta. É, eu era da balada.

Era. Porque nessa última vi que já passou meu tempo de fingir que não to nem aí pra quem derruba cerveja no meu pé limpinho, pra fingir que não acho ridículas aquelas meninas que esqueceram a saia em casa e vão dançando até o chão, pra fingir me mexer ao som de uma música que jamais vai tocar na minha casa... Não mais. Eu não tenho nenhum apreço por quem derruba cerveja na pessoa ao lado (tirando os desastres, claro. Cerveja não se desperdiça, quem faz isso me desperta a mesma ira que as senhoras que lavam a calçada com toda a água do futuro), fico com dó (desprezo?) da menina que usa seus dotes rebolativos e sua falta de roupa pra chamar a atenção do cara ao lado e não suporto música ruim. Eu aguento melhor a poluição do ar que a sonora.

Aliás, intolerância musical tem muito a ver com a idade e o amadurecimento, eu acho. Quando era mais nova, meu gosto musical era o mesmo de hoje e isso não me impedia de me divertir em festas. Eu amava uma micareta, caramba. Hoje, não. Ainda tô so, so far away dos 70 anos (e da sinceridade típica dessa idade), mas não entendo quem gosta de músicas que falem de carro, que tenham o um único ritmo pobrinho ou tenham a mesma sonoridade que a construção do prédio aqui em frente de casa provoca todo dia às 7 da manhã.

Seria eu uma zumbi ou só mais tolerante nos meus anos baladeiros? Não sei, o que sei é que cair na balada errada hoje em dia tem o mesmo efeito que ser extraterrestre. Fica difícil entender aquela gente, aqueles costumes, aquele som que deixa a maior parte das pessoas felizes... Eu me obrigava a aceitar os convites das amigas porque, enfim, solteira não se arranja assistindo a filminho em casa. Mas depois dessa última festa, descobri que não quero me arranjar com o fulano que frequenta toda sexta ou todo sábado (ou os dois, pior!) esse tipo de ambiente. Sair de casa pra uma noitada agora só depois de saber qual banda vai tocar e quais os meus amigos irão. Qualquer festa é garantia de sucesso quando você está bem cercada e com os ouvidos bem amparados. Do contrário, fico em casa mesmo, onde entra quem eu quero, toca o que eu gosto e, se a cerveja cair, vira piada.

P.S.: intolerância musical + intolerância com gente que usa o corpo pra chamar a atenção, é oficial: tô ficando velha!

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Só tome cuidado com o excesso de sinceridade ;)