domingo, 6 de maio de 2012

A vida é uma pintura de Monet


Não sei exatamente o porquê, mas nessa semana eu fiquei me lembrando muito da sensação que tive ao ver o primeiro quadro de Monet, ao vivo e a muitas cores. Foi no palácio de Belvedere, quando fiz mochilão pela Europa e passei por Viena.
Eu rodei, rodei, me perdi no museu (só pra manter o costume, hehe) e de longe vi um quadro muito cheio de cor, um jardim lindo e na hora me deu estalo: “é um Monet”. Cheguei mais perto e o tanto de cor me deu até uma tontura (leve e boa, mas não deixa de ser tontura).

De perto, o jardim estava perdido no meio daquele tanto de pincelada nervosa (eu imagino...), nem dava pra dizer que era um jardim, mas o nome estava lá: Claude Monet.
Na hora, minha reação foi rir sozinha e, ao mesmo tempo, chorei (umas quatro lágrimas, mas chorei). Tá, parece exagerado, eu sei. Justo eu que achava Monet um festival de borrão e, pra falar a verdade, não me importava tanto com impressionismo ou com qualquer tipo de pintura que não fosse as cores da parede de casa ou das minhas unhas.

Saí do Palácio mais leve, feliz da vida por ter visto um Monet. E depois fui vendo tantas outras coisas pelo caminho que engavetei essa sensação na memória. Aí essa semana ela veio à tona e acho que entendi o motivo de um quadro de Monet ter me deixado tão eufórica.

A pintura de Monet é a melhor metáfora sobre o que tempo faz com a nossa percepção da vida e de tudo o que acontece com a gente. Na hora, parece um drama ou algo totalmente sem razão, com lógica zero. Tipo aquele sonho que não deu certo e pelo qual você batalhou horrores. Depois de um tempo, o acontecimento sem lógica meio que toma forma e você entende tudo (ou uma parte grande, pelo menos). A vida é uma pintura de Monet, não adianta querer entender de perto, você vai demorar um tempo pra perceber os contornos e as razões de tudo. Não há nada de imediato. Você precisa se distanciar de você pra se entender. Pra mim faz sentido.
Foi esse o dito cujo que me emocionou. Não lembro o nome, só a emoção ;)

P.S.: até o fato de eu demorar pra entender porque gostei tanto do quadro é uma coisa meio Monet. Demorou dois anos quase, sou lenta.

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