Toda vez que começo a ler um livro novo, corro para as páginas finais. Eu sempre leio uma revista do final para o começo, é muito melhor começar com o cronista da publicação, que, pra mim, é o resumo das intenções, da alma e do coração dela.
Eu só vou ao cinema sabendo boa parte da história do filme. E até prefiro saber o final. Não acho que esse meu hábito estrague o prazer de me entregar a uma história. Pelo contrário. Assim que eu acalmo minha curiosidade-monstra, fica muito mais divertido apreciar o durante, perceber as dicas que levam ao final.
É, tipo esse cachorro...
Pouca gente se entrega a histórias desse jeito. Pra falar a verdade, só conheço meu pai e eu mesma que fazemos isso. Meu pai é até pior, ele precisa ter certeza de que seu personagem preferido não vai morrer, senão...
Por um segundo, eu imaginei que essa minha adoração por spoilers tivesse a ver com o medo de me decepcionar. Por exemplo, em um romance que você quer muito que o casal principal termine junto, mas o galã morre ou trai ou decide que gosta mesmo de homens (ah, vida...), o final vai ser triste, mas, mesmo sabendo dele, eu não vou deixar de ver o filme. Vou é me concentrar no durante pra, depois, poder falar com propriedade: “Como a fulana não percebeu que ele era gay? Ele usava o hidratante da Victoria's Secret dela!” ou “Como ela não se tocou que era chifrada? Ninguém viaja todo final de semana a trabalho nem dá joias caras à secretária”. Ou seja, não é medo. É só curiosidade mesmo.
Dia desses li uma crônica do Matthew Shirts no Estadão (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110606/not_imp728408,0.php) que dizia que um dos motivos de a Jennifer Aniston vender tanta revista é que ninguém sabe o final da vida dela. Ela desperta curiosidade. Tá vendo? O mundo também é bem doido por um spoiler (fofoca?) da vida alheia!
Igual ao Bart...
É por isso que eu acho que deveria existir videntes que acertam mesmo ou que, assim que a gente nasce, ganhamos um traçado dos nossos anos. Pouparia tempo e sentimento. Economizaria estresse e chocolate. E deixaria a gente mais tranquila em relação às barreiras no meio do nosso caminho. “Tudo bem, vou chorar só um pouquinho pra fazer charme, sei que já, já ele vem correndo pedir desculpas”. “Ok, vou aguentar essa aula tediosa porque ela é a certeza do meu emprego com salário enorme”, essas coisas... Seria bom ter uma garantia de que no final tudo dá certo mesmo porque só desse jeito a gente tem paciência pra esperar o final.
P.S.: o horóscopo bem poderia ser um spoiler (REAL) do nosso mês, né?



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Só tome cuidado com o excesso de sinceridade ;)