sábado, 18 de junho de 2011

O perigo de ser eclético

Se tem uma palavra que perdeu o sentido, pra mim, essa palavra é eclético. Eclético em relação a gosto musical, tá? Não em relação a crenças e teorias e blábláblá. Eu mesma morro de medo de me rotular eclética quanto ao que curto ouvir.

Explico: eu acredito no meu bom gosto musical. Eu sei que nem todo pop (de hoje em dia...) é porcaria e que nem todo rock’n’roll vai pro céu inferno. Sei melhor ainda que pagode nunca vai ser samba e que nem todo samba é digno de ziriguidum.
Gosto do Paulinho da Viola com o mesmo amor que sinto pelo Foo Fighters. Alanis Morissette e The Cure são igualmente apreciados. Aerosmith coabita meu porta-CDs sem briga alguma Jamie Cullum e Madonna (a dos anos 80). John Mayer, Michael Jackson, Mariah Carey (ah, eu sou menininha, me deixa...), Jorge Aragão, Rolling Stones, Marisa Monte, Strokes, The Killers, Los Hermanos, Maroon 5 e Bon Jovi nunca, jamais se pegaram na minha gaveta de CDs (ãham, eu tenho CDs, essa coisa pré-histórica). Ben Harper e Eagle-Eye Cherry se revezam na minha playlist sem problemas, que, vez ou outra, abre espaço para Chitão, Xororó e sua linda Evidências. Rei Roberto e rei Elvis têm o mesmo poder de me emocionar. Fábio Jr. cai bem na TPM... Assim como Regina Spektor. E o que dizer da Adele?! Quisera eu perder o namorado e fazer um CD tão lindo (digo o mesmo da Amy Winehouse).

Só coloquei essa imagem porque achei tão linda e dourada (e o texto tá gigante) #hehehe


Se tem melodia gostosa e letra que emociona, surpreende ou os dois ao mesmo tempo, eu vou gostar. Amando tanta coisa, é provável que seja eclética. Mas o problema é que hoje em dia qualquer fulano que não entende nada de ritmo, letra e sons que fazem bem ao ouvido se julga eclético. Ser eclético não é gostar do “sertanejo” universitário e do “rock” dessas bandas que brotam de hora em hora e que mal duram dois CDs de inéditas. Ser eclético não é gostar de tudo o que toca em rádio. Isso é não ter bom gosto musical.

Toda vez que assisto aos clipes do Multishow ou da MTV eu me pergunto se Michael Jackson não morreu de desgosto ao ver o que virou o pop que ele tanto tratou bem, óbvio que ele precisava de analgésico vendo essa palhaçada toda. Toda vez que vejo uma banda/cantora que investe mais em coreografia que na sua música eu me lembro do meu pai questionar: “mas isso influencia na venda de CDs, é? Por quê, filha?”. 

Papis é expert em me deixar sem resposta. Tipo o dia em que ele veio querer saber o porquê de sertanejo universitário: "é porque as letras são mais inteligentes já que eles vão à faculdade, é isso, filha?". Fiquei com dó de falar a real... A única coisa que eu sei disso tudo é que ser eclético não é gostar de dois ou três cantores que tocam loucamente em rádio, mas que, ao ouvir o CD inteiro, você nem percebe que mudou de música. Isso é ter preguiça de procurar música boa, que coisa feia...

Músicos bons me causam o mesmo desespero que saber que o mundo é tão grande e que provavelmente não vou dar conta de visitar. Tem tanta gente boa por aí que dificilmente eu vou conhecer porque a indústria musical ama um som parecido e barulhento.

Adoro o Google porque ele sempre adivinha o que quero pra ilustrar meus posts. Rá!


P.S.: Essa história de dizer que o fulano é o novo ciclano me faz acreditar que o mundo só quer mesmo é saber das cópias

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