Indiferença ou fingindo indiferença? Vou passar a vida tentando distinguir a diferença entre essas duas coisas. Um saco isso, principalmente pela total oposição de significado. Uma pessoa indiferente não tá nem ligando, ela olha pra você com o mesmo sentimento com que admira (?) um vaso rachado, uma parede desbotada ou pra uma jaca bem madura. Desprezo involuntário, meu amigo. O sentimento menos sentimento do mundo.
Já quem pretends to be faz de difícil e não olha de cara, mas é só o fulano pra quem ele finge o desinteresse dar as costas que o suposto indiferente começa admirar o que dá pra ser visto. O desenho da camiseta na parte de trás, o jeito com que a calça molda o bumbum (ah, vai dizer que você nunca reparou?), a nuca... Até que o fulano vira e você se presta ao papel de olhar o... chão. Não dá pra perder a banca de indiferente. O fingidor adora de um jeito sufocado, sente por todos os poros, mas abafa.
Indiferente nem guarda mais o número na agenda do celular. Quem finge abre a janela do bate-papo umas quatro vezes, digita, apaga, digita, apaga e não manda nada no fim. Indiferente sorri o mesmo sorriso pra você e pra um cara que faz a piada mais sem graça do mundo. Tanto faz, ué. Quem finge mostra todos os dentes no sorriso mais largo do mundo quando recebe um “oi. E aí?” de quem finge não gostar. Escapou, ué.
E todo mundo já viveu esses dois papéis na vida. Às vezes ao mesmo tempo. Só acho que ser indiferente todo o tempo e com todos é um pouco triste, quem é indiferente não sente. Não sentir é um pecado.
P.S.: It's not what I didn't feel, it's what I didn't show, né, Adam Levine?!

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Só tome cuidado com o excesso de sinceridade ;)