Eu sempre achei que viajar lava a alma. E lava mesmo. É impressionante como um lugar novo coloca a cabeça no lugar e esvazia os espaços preocupados com bobagem. Toda vez que volto de uma viagem de um fim de semana ou de três semanas, eu me reinvento. Acho que, além da cesta básica, todo mundo merecia uma passagem e hospedagem grátis também. O mundo teria toneladas a menos de mau humor.
Sempre que coloco a mochila nas costas (ou a mala no porta-malas, mas é que mochila nas costas é mais hippie, logo...) eu ainda carrego as preocupações que andavam me atormentando (não sou um botão on/off, ué), o engraçado é que elas vão ficando no meio do caminho. Quando eu chego ao destino, tô levinha. E quando volto, é mesmo como se eu fosse outra. Divertido mesmo é absorver um pouco de cada lugar, dez mil vezes melhor que comprar souvenirs e lotar a mochila (é, sou a turista que só dá lucro pra restaurante). Conforme o tempo vai passando (e a grana ficando curta), dá um leve desespero de perceber que há grandes chances de não conhecer o mundo todo. É mais ou menos como saber que você não vai dar conta de ler todos os livros que quer...
Mas antes uma foto de uma ilhota de Paraty. Viagem que fez meu 2011 finalmente começar ;)
Não me importa se a viagem é só comigo mesma. A última que fiz assim foi incrível, eu, o Velho Mundo e meu sonho. Quando senti que meu lado mimadinha ia baixar, adorei a reação que veio em seguida. “Tenha dó, né?”. E lá se foi meu lado chatinho... Fiquei muito mais cúmplice de mim mesma, não me preocupei um segundo com o que iriam achar de mim se repetisse o café da manhã ou se vissem meu esmalte lascado, aprendi que se perder também ajuda a se achar (mesmo assim, ainda não sei direito o que quero...) e tive a certeza de que mochila pesada machuca os ombros. Enquanto muita gente jogava moeda nas fontes, eu arremessei sentimentos antigos. Enquanto muita gente fazia pedidos perto de algum santo, eu chorava só de agradecer. Pedir mais o que quando você está tão lotada de felicidade?
Pausa pra foto de Veneza. Viagem que lavou minha alma por umas três gerações.
Viajar entre amigos também é bom. Principalmente quando, no carnaval, você acha que sua energia tá esgotando. É bom ter alguém pra “te ligar na tomada”, dar risada das coisas que só vocês vão achar graça na volta e ter um cúmplice de histórias bizarras. Daquelas que, se você fosse sozinho, era capaz de deixar no caminho de volta.
Eu amo viajar. Eu quero um programa de bolsa(mochila?)-viagem. Dizem que sagitariano é aventureiro. Eu sou sagitariana e sempre achei que fosse apegada à minha rotina certinha. Ultimamente eu só ando apegada aos meus sonhos... E eles estão cada hora em um lugar. Oi, aventura ;)
P.S.: Walking gets too boring when you learn how to fly. Not the homecoming kind, né, Shakira?
P.S.2: Lavar a alma é uma expressão estranha. Lavar demais desbota o tecido, não é? E minha alma chega sempre em cores néon depois de uma trip :S

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Só tome cuidado com o excesso de sinceridade ;)